Um entregador de pizza toca a campainha. Vestindo trajes mínimos, uma mulher voluptuosa o atende. Sem dinheiro, ela chama o rapaz para entrar e quer pagá-lo de outra forma. Rapidamente, eles partem para a ação. A cena pode ser um clichê de filmes da indústria p0rn0, mas já não faz mais a cabeça do público do gênero.  Segundo pesquisa realizada neste ano pela Pl4yboy TV, marca detentora dos canais de conteúdo adulto S3xy Hot, Pl4yboy TV, Pr1vate, V3nus, S3xtreme e F0r M4n, 63% das pessoas interessadas em programas er0tic0s preferem cenas naturais, que pareçam reais. Para 46% dos entrevistados, um enredo bom também é essencial.
Na última pesquisa realizada pela rede, em 2010, o percentual era menor: 45% das pessoas afirmaram preferir realismo e naturalidade em canais er0tic0s. A preferência pelo p0rn0 com enredo pode ser explicada por outro número: de quatro anos para cá, cresceu a porcentagem de mulheres entre os assinantes dos canais da Pl4yboy TV. Se em 2010 elas representavam 49% das assinaturas, em 2014 elas compõem 54% da base. “Ficamos relativamente surpresos. Esperávamos um número alto de assinantes do s3xo feminino, mas não que tivesse ultrapassado o de homens”, diz Cínthia Fajardo, gerente de marketing da marca.
Segundo mulheres produtoras de filmes er0tic0s, o público feminino “quer a verdade” no p0rn0. A sueca Erika Lust, que filmou seu primeiro curta em 2004, por exemplo, aposta em tramas complexas. Em “Cabaret Desire”, de 2011, conta a história de um “bord3l poético”, em que pr0stitutas são poetas que narram aos clientes histórias líricas de s3xo e paixão.
“Algumas mulheres acham o p0rn0 tradicional excitante, mas a maior parte de nós não se conecta com as situações”, afirma. “Mulheres e homens modernos precisam de algo mais refinado para se excitar do que apenas s3xo repetitivo, ginástico e ginecológico.” “No p0rn0 tradicional somos retratadas como lolitas pervertidas, donas de casa desesperadas, babás safadas e enfermeiras ninfomaníacas. Não somos essas mulheres”, diz Lust. “Acho que uma parte do público demanda hoje um p0rn0 diferente.”
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Para a americana Jennifer Lyon Bell, criadora da produtora de filmes er0tic0s Blue Artichoke Films, o enredo também importa. Formada em psicologia em Harvard, Bell diz que gosta de entender por que os personagens estão atraídos um pelo outro. “Faço filmes er0ticos para quem gosta de filmes. Quando vamos ao cinema queremos nos sentir interessados pelo que está acontecendo. Por que deveria ser diferente no p0rn0?”, questiona ela.
Em “Silver Shoes”, longa que lança neste mês, por exemplo, Bell fala do “poder carnal das roupas” por meio de três tramas separadas. Em uma delas, uma mulher recebe um convidado com “calças fabulosas e brilhantes” para um café da manhã em casa.
A preferência por cenas reais inspirou o canal S3xy H0t a criar novas atrações. No caso, em vez de investir no p0rn0 com enredo, desenvolveu atrações entre não atores. O “Na Intimidade”, disponível sob demanda, é uma mistura de reality com game show. Três candidatos passam por uma série de provas para tentar conquistar a preferência de uma atriz p0rn0. O vencedor ganha a oportunidade de gravar uma cena curta, de cinco a dez minutos de duração, com a atriz. Não há trama, diálogos inteligentes ou complexidade alguma, mas o programa esbanja naturalidade. O resultado é mais vida real do que filme p0rn0. “Quando identificamos a preferência por naturalidade, procuramos atender a essa nova demanda”, diz Fajardo.
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